15 Nov 16

Pode uma empresa de produtos para bebé transformar, por acidente, a vida de uma copywriter num estudo de caso de transmedia storytelling?

Pode uma empresa de produtos para bebé transformar, por acidente, a vida de uma copywriter num estudo de caso de transmedia storytelling?

Uma empresa americana, a Boba, resolveu lançar um vídeo que conta na sua narrativa a conversa entre mãe e filho, desde o momento da gravidez até aos seus primeiros anos de vida.

 

A história pensada para o projeto e desenvolvida pela copywriter Laurenne Sala, deriva, e bem, da narrativa principal do negócio da empresa e dos protagonistas do mesmo – produtos para crianças.
Com o título original “You made me a mother”, a peça publicitária transformou-se num dos anúncios mais vistos sobre a área de maternidade e tem como base o copy que se segue:

“I felt you. You were a pea. Then a lemon. Then an eggplant. I followed advice. I read 12 books. I quit coffee.
Could you tell I was scared?
I talked to you, sang to you … I wasn’t ready.
But then you were here. Ten toes. Eight pounds. Love. Big fat love.
I held you. I fed you. I realized that I would spend my life doing things to make you happy—and that that would make me happy.
And then there are the times I want to give up. You’ve made me rethink my sanity. You’ve made me want to fall on my mother’s feet and tell her that I get it.
But then you smile, and you say my name—and you grab my hand with those little fingers.
We’re growing. Together. We are seeing the world like it’s new. I will open my heart, and love will rain down all over you. You’ll giggle, and I’ll do it all over again. And we will walk hand in hand. Until you let go.
I made you, but you made me a mother.”

O processo criativo e de escrita do argumento que resultou no filme, teve como base a pesquisa no terreno feita pela copywriter, fundamental para a compreensão da dinâmica entre mãe e filho.
Segundo Laurence, as entrevistas constantes que efetuou a mães e mulheres grávidas acerca dos sentimentos e do dia-a-dia para com os seus filhos, foi fundamental para se colocar no papel de mãe e escrever o poema de base para o vídeo, mesmo para uma pessoa que nunca teve a experiência da maternidade, como é o seu caso.
O sucesso deste projeto e a visibilidade que teve nos media tradicionais, fez com que a editora HarperCollins reparasse nesta freelancer e a desafiasse a publicar um livro de histórias para crianças com o título original do projeto – “You made me a mother”.

Embora não tenhamos informações que o possam comprovar, a empresa que esteve na base do projeto – a Bobo – teve aqui uma oportunidade de trabalhar em conjunto com a editora da obra literária, ampliando a comunicação da sua marca, tendo a possibilidade de divulgar a sua história em diferentes públicos e diferentes meios. O mote para desenvolver plataformas como, por exemplo, um blog que promova histórias e poemas para mães e crianças, escritos por utilizadores apaixonados por este tema, bem como outras aplicações, podem dar continuidade à narrativa da marca, permitindo, assim, à comunidade apaixonada por esta temática, ir para além da mera relação com um produto.

Resumindo, a utilização de uma estratégia de transmedia storytelling como ferramenta para comunicação, permite a qualquer marca abordar diretamente as emoções e valores humanos, ajudando na construção de uma ponte entre si e as pessoas que pretende envolver.
Essa ponte só é possível devido ao processo de personificação da marca, conseguido através da construção de uma narrativa que tenha na sua essência o ADN da marca e o seu propósito social.

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